Viajar grávida não é impossível !

“N​ada é impossível”​ nem mesmo viajar grávida. Vocês conhecem este provérbio. Bom, essa é a nossa filosofia!

Vocês já sabem que nós temos duas crianças, dois bebês que adoramos e com os quais estamos o t​empo todo. ​Não somente por que queremos assim mas também porque trabalhamos em ‘c​asa’ ​e portanto podemos ficar com eles.

Dormimos, acordamos, comemos e viajamos juntos, enfim, fazemos um monte de coisas juntos e mesmo antes de nascerem eu e o Bruno já estávamos nesse ritmo.

Duas crianças, e aí fui duas vezes grávida, duas fases normais para descobrir o mundo. Normais? Mas espera aí: vocês conseguem ver alguma coisa de extraordinário em viajar grávida? Nós não. Para falar a verdade nós não conhecemos o tipo de gravidez na cama, aguardando o dia de dar à luz, então vemos que o que amamos é viajar e assim dizemos que combinar viagem e gravidez para nós é algo normal.

Nós não vemos a gravidez como um bloqueio ou restrição ou empecilho, nem mesmo como uma doença, é simples, grávida ou não, eu já provei e fiz de tudo, quero mesmo dizer, d​e tudo!

​Sim: Fiz trilhas no Peru, uma mini viagem de carro pela Europa, uma viagem no meio do deserto marroquino do Saara ­ e estava um sol de rachar de uns 40 graus e sensação de 50! Viagem à Ásia por 4 meses, comer aranhas, serpentes na Tailândia, nadar com tubarões nas Filipinas e continuamos viajando por mais um mês levando 1​00 quilos​ em bagagens mesmo com o colo do útero já em estado de quase pronto paro o nascimento do Noam. Viu? Fiz de tudo!

Agora, fiz de tudo, exceto comer salada.

E se minhas restrições fossem alimentares e comer coisas cruas? E se tudo se resumisse em um risco de toxoplasmose?
Vocês se veem deixando de viajar pelo fato de o maior risco ser o de pegar toxoplasmose? Nós não. E pra completar, eu como uma mãe canguru, carreguei meus bebês no calor e no frio, aos quatro cantos do mundo ­ e querem saber de uma coisa? Eles têm duas mãos, duas pernas e uma saúde de ferro.

Bom, certamente, mamães e papais, vocês estão se perguntando agora como fazer, como preparar uma viagem no meio de uma gravidez e quais são as precauções a tomar? Pois bem, vamos lá, tomem nota que vou dar as dicas :­)

1­ – Superação dos Medos – 

Este é sem dúvidas o maior obstáculo em planejar uma viagem. O medo é normal porém psicológico. Tenha em mente que você é livre e que viajar é saudável para o seu bem­estar, ou seja, isso ajuda muito no desenvolvimento do seu futuro bebê, além disso ele já vai ser um cidadão do mundo antes mesmo de nascer.

2 -­ Consultar o seu ginecologista –

Fazer uma ultra e hemogramas completos antes de partir.
Mesmo sabendo que viajar grávida não oferece risco nenhum, é muito bom conhecer o estado de saúde da gravidez de cada mulher em particular.

Faça uma ultra de rotina para que você possa estar tranquila de que não há nenhuma contra indicação. A coleta de sangue vai mostrar qualquer tipo de contaminação que você possa ter. O ideal é já saber que não há risco de toxoplasmose, rubéola e essas assim. O corpo humano é também muito surpreendente, pois algumas destas doenças, uma vez que temos, o corpo já é imunizado para o resto de nossas vidas. Agora, sempre se lembrar d​e levar todos os resultados com você.​

3 ­- Pesquisem todos os hospitais ​próximos

de onde vocês estão indo ou de todos os lugares que estão indo. Pesquisem e procurem saber sobre quais oferecem enfermeiros e médicos que falem Inglês ou até mesmo Português, acreditem, o diálogo é extremamente crucial com médicos.

Durante nossos 5 meses na Ásia, paramos uma vez por mês para fazer os exames mensais e cada vez numa cidade e num país diferente. É assim que fizemos coleta de sangue em Ko Samui na Tailândia, exames de sangue e ultra-som em Kuala Lumpur na Malásia, exames de sangue em Bali na Indonésia. Pulamos um exame que fizemos chegando em Paris na França. O Noam nasceu 5 semanas depois.

4 ­- Evitem países com riscos de doenças graves, 

digamos, mortíferas, como lugares que tenham surtos de doenças como o ebola e similares. Se vão à África, pesquisem bem sobre este assunto e busquem toda e qualquer informação sobre ”​vacinas”.​ Sabemos que no Brasil há por exemplo, dengue, zika e entre outras que até fizeram algumas pessoas desistirem de viagens já pagas, então se ponha no lugar delas e verão que alguns locais têm doenças que você não quer pegar.

5 ­- Produtos crus?

​Assim como eu,se você nunca teve toxoplasmose, se preparem para não mais comer produtos crus em geral, mesmo em restaurantes. Mas esta regra se aplica apenas quando estamos na França ou no exterior, agora, por que se impedir de viver?

6 ­- Exames de rotinas?

Viajando ou não nós não escapamos das coletas de sangue mensais. Viajando nós sempre temos o privilégio de ir à diferentes clínicas. Elas são pagas mas também muito mais limpas e organizadas do que hospitais públicos. Acreditem, tomar vacinas em um hospital com lençóis sujos de sangue, nossa, isso realmente dá nojo e medo.
­ Na Ásia a tarifa é por volta de 100 Euros (400 reais).
­ No Brasil, bom, no Brasil, pagamos por volta de 300 Euros. (Dá para imaginar o quanto custa em reais, não é?) Mas se não houver escolha, é o jeito. O importante é fazer os exames pois a vida que está dentro de você merece toda a atenção e cuidado do mundo.

7 ­- Valores?​

 Você achou caro com apenas algumas coletas de sangue? Espere até ter que fazer as ultras, que são obrigatórias, aí sim, custará os olhos da “cara”. Eu amo o sistema francês, pode falar o que quiser, mas tudo é reembolsado 100% :­). É viajando que vejo coisas que me fazem dar mais valor em ser francesa. Na Ásia o custo foi de mais ou menos 200 Euros e já no Brasil pagamos cerca de 400 Reais (200 Euros na época).

8 – Descanso!​ 

Bom, depois de ter pago os olhos da cara nós d​evemos,​sim, é um dever, de deitar e descansar. Agora mesmo a “sua pessoa” corre uma maratona, tem um ritmo de cruzeiro e pára apenas quando necessário, deu vontade de se sentar? Sente-­se, deu vontade de dormir? Durma. Na verdade, durante a gravidez é o corpo que decide. E se ele dá o comando “eu quero dormir”, o sono vai vir de qualquer jeito. Pois sabemos que é o bebê que toma o controle do corpo e se não se sentir à vontade ele vai querer vir de qualquer jeito e aí virão as contrações.

Small Lagoon El nido

  1. Amei o texto!!! Realmente é uma inspiração…lá vou eu então com minha barriga pelo mundo, muito confortada pelo seu relato. 🙏🏼👶🏼

    • Familia Sem Fronteiras says:

      Fernanda,

      Fico feliz em ter deixado você mais confiante para suas próximas viagens com o Bernardinho :-) Não deixe de ler também os outros post sobre a alimentação do bebe durante as viagens, como cozinhar, como levar o carrinho do bebe, amamentar no exterior .. Acredito que ajudarão a ter uma ideia de como sera depois 😉

      Beijos !

    • Familia Sem Fronteiras says:

      E concorda comigo que é importante quebrar esse preconceito que viagem e gravidez nao podem ser cumuladas

  2. Boaaaa! Muito bom esse seu post! Serve pra desmistificar muita coisa e pra mostrar que com os cuidados certo é possível sim continuar uma vida de viajante durante a gravidez.

    • Familia Sem Fronteiras says:

      O objetivo desse blog e dos post é de compartilhar nossas experiências pelo mundo mas também incentivar os pais ou futuros pais à continuar de viajar gravida ou com seus filhos. A ideia é que mesmo gravida, o mundo esta ainda aberto para nós, futuras mães que a sociedade culpa sempre que ficamos fora dos “padrões”.
      E voce Dhebora, viajara gravida ?

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